A CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO EM ROUSSEAU

Celia Alves Borges Freitas

Resumo


Vivemos em um contexto social de constantes transformações e progressos. O
professor está inserido nesse meio, com a responsabilidade de educar para a cidadania e
não reproduzir desigualdades dentro da sociedade. Para tanto, é necessário que o
professor conheça e compreenda os métodos de educação nos diferentes contextos e
épocas. Para entender estas transformações, objetivamos fazer um estudo da concepção
de educação de Rousseau. Ele demonstrou por meio de suas obras que a educação não
pode ser somente racional mais também emocional, e que deve ser iniciada com os
primeiros cuidados na infância.
É necessário que nós educadores estejamos preparados para agir dentro de uma
sociedade consumista e imediatista resgatando os valores e a importância de um homem
íntegro que se educa primeiramente para ser “homem” e logo depois atuar na sociedade.
A partir dessa perspectiva fizemos um estudo teórico onde podemos constatar que a
educação na infância já era pensada pelos filósofos desde o século XVIII, onde Jean
Jacques Rousseau idealizava uma educação natural para o desenvolvimento da infância.
Não uma educação repressora, onde a criança era vista como um adulto em miniatura,
mas como uma formação natural onde se respeitava as principais fases da vida da
criança, desenvolvendo dessa forma uma educação natural, com o acompanhamento do
adulto e com limites. Rousseau partia do princípio que o homem nasce bom e a
sociedade o corrompe, por isso era preciso preparar a natureza da criança, formar a sua
consciência emocional, para mais tarde formar o intelecto da criança. Nesse sentido, era
necessária uma educação negativa onde o autor afastava a criança da sociedade e a
educava de modo natural, ou seja, era uma educação onde a mesma convivia com a
natureza juntamente com os pais, acumulando assim a base para a formação de um
homem íntegro que, dessa maneira se distanciava dos vícios da sociedade. A educação
natural esta ligada aos cuidados que o adulto deve ter na construção da educação infantil
que deve estar alicerçada no próprio sujeito.
Dessa forma se educa a criança para pensar e não para reproduzir o que a
sociedade impõe, fornecendo a ela os objetos para que possa assimilar os
conhecimentos e apreendêlos
conforme o seu desenvolvimento, unindo assim
conhecimento e valor moral. É por meio de interação que se consegue conhecer o
desconhecido e agregar valores que sirvam para transformação do sujeito.
O “Emílio”, aluno imaginário de Rousseau, é criado e educado por um
preceptor que via na educação a forma de mudar a desigualdade do mundo. “Isso é
possível se o homem for educado pra ele mesmo e logo depois para a sociedade”. Para
que se concretize essa idealização do autor, a criança deve ser saudável para agüentar os
desafios da natureza, pois sem a educação natural é impossível conhecer e desenvolver a
intelectual.
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Os primeiros cuidados com o recémnascido,
para Rousseau, devem ser também
com liberdade, assistida pelos pais, pois o bebê sente, desde seu nascimento. A
interação com o meio faz com que a criança assimile os conhecimentos e internalize em
seu consciente os modos que recebe como cuidado. Por isso é preciso uma ação que não
prejudique a emoção e os sentimentos da criança, pois a estrutura cognitiva tem início já
nos primeiros anos de vida. Os pais devem juntamente com a natureza estar presente na
primeira educação da criança, pois dessa forma contribuirão para a formação de um
homem íntegro para a sociedade. Quando o autor coloca no “Emilio”, que devemos
cuidar para não criar um homem constrangido, devemos pensar em preparar a criança
para sua atuação no meio social, que de alguma forma tende a produzir um cidadão
alienado que reproduza e satisfaça a forma imposta pela sociedade. Os primeiros
ensinamentos são os alicerces de uma estrutura firme para um encontro com o social,
que não desestabilize a forma de pensar do verdadeiro homem. Um sujeito conhecedor
de sua realidade terá mais desenvoltura para conhecer e lidar com a realidade do outro,
podendo até mesmo contribuir para a ampliação dos vários mundos. Mas, para que isso
tenha realmente resultado positivo, é necessário que a emoção e a razão estejam
concretizadas dentro do homem. O “Emilio” de Rousseau nos traz o verdadeiro modelo
de educação, pois o mesmo passa por todas as fases da vida agindo naturalmente e
internalizando todos os conhecimentos possíveis para uma atuação perfeita do homem
no meio natural e social. O “Emilio” nasce órfão e tem como preceptor um homem que
tem como ideal transformar a educação tradicional, que manipula a criança, a qual é
vista como um adulto em miniatura, em uma educação liberal e natural onde seja
respeitada cada fase da vida infantil. O autor dessa concepção de educação observa
detalhadamente como se deve criar e educar uma criança desde seu nascimento.
Para Rousseau, o recémnascido
deve ter a liberdade de se movimentar desde o
momento que sai do ventre de sua mãe, podendo assim mexer e esticar todos os
membros que ficaram entorpecidos durante muito tempo. Deve também ser
amamentado por sua mãe e não pela amadeleite
como os costumes, pois afirma que a
mãe é parte essencial na educação do filho, caso não seja a mãe que alimenta o filho
devese
escolher uma amadeleite
saudável, e que tenha acabado de dar a luz,
alimentandose
bem e tenha hábitos de higiene saudáveis. Para Rousseau, a primeira
linguagem da criança é o choro, pois é por meio dele que a criança reclama se algo não
vai bem, ou se esta precisando que lhe dêem atenção. É preciso conhecer essa
linguagem da criança para não ser manipulado por ela e também não omitir socorro à
mesma, quando precisar. A higiene da criança deve contar sempre com banhos diários, a
mesma deve se acostumar com banhos mornos e frios para fortalecer o organismo afim
de que não adoeça posteriormente com as diferenças que vai encontrar ao longo de seu
crescimento. A liberdade de ação, é o principal meio que autor defende para o
desenvolvimento da criança, é preciso que a mesma interaja com os objetos ao seu
redor, para conhecer e também, que a mesma possa sozinha fazer uso dos espaços
físicos que lhe rodeiam. Rousseau diz que a mãe deve saber educar o filho não deixando
a desejar em seus ensinamentos, mas que, também não exagere nos mimos para não
criar um sujeito fraco e distante da realidade.
Por isso, ter Rousseau como referência na formação pedagógica é acrescentar
em nosso conhecimento a teoria que pode e deve ser desenvolvida na infância como
meio de educação natural e moral.

Palavras-chave


Rousseau, infância, educação



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